Claudia Lara
TEXTOS
A PINTURA DE CLAUDIA DE LARA - SANDRA HIROMOTO


A pintura de Claudia de Lara num primeiro momento nos aproxima da estética da Pop Arte. A alegria das cores, cuidadosamente escolhidas são atribuídas aos fragmentos que se encaixam e simultaneamente rompem com as linhas. Não existe a continuidade tão óbvia dos traços. Essa pintura traz a natureza da artista, o contentamento, a explosão das cores, a beleza que se revela em camadas de tinta.

Num outro instante, essa cores que revelam, denotam um limite espacial rígido, e esse seria seu pretexto para pintura. A afetividade contida em cada pincelada que se transforma no metal que se curva, ou num ninho, em retalhos que pertencem. Retalhos que pertencem à memória de sua mãe. Como se pudesse reter o tempo e sentir a presença da pessoa amada que e se foi tão cedo.
A busca desse aconchego no metal, remete às estruturas metálicas presentes em sua infância, na oficina do pai, serralheiro.

E nesses espaços a descoberta que se revela, não só na superfície mas em cada detalhe onde o duro se torna mole, onde retalhos se fecham em círculos, a artista nos traz seu recorte do tempo. Num olhar mais atento esse a captura da paisagem magistralmente delimita os espaços ou detalhes que se mostram em seu imaginário afetivo.
Os entremeios, sinuosos ora se fundem e se confundem em envergaduras de linhas que atravessam intervalos e confrontam-se com seu próprio limite, o que resulta na fatura de belas composições para nosso deleite.

Sandra Hiromoto
artista plástica e designer


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